28/05/2012

FALANDO EM ARREPENDIMENTO


Já ouvi muitas pessoas dizerem que não se arrependem do que fazem, só do que deixam de fazer. Acho até que em algum momento da minha vida também devo ter falado isto. Porém, analisando de maneira mais profunda, sabemos que isto é uma grande mentira, e o pior desta mentira é que tentamos nos convencer de que é verdade, e como canta aquela melodia: "Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira"! 

As pessoas se arrependem do que fazem, sim! Arrependem-se de terem magoado alguém que não merecia, de terem se precipitado em um julgamento, de terem gasto mais do que deviam, de comprar aquele sapato que nunca foi usado, de criar ilusões sobre alguém, de tomarem uma atitude que teve consequências desagradáveis, etc.. 

Quantas situações você gostaria de ter agido diferente? Quantas escolhas desastrosas já fez? Muitas! E não tem nada de errado em lamentar isto. Perceber o erro é o primeiro passo para mudanças positivas. Reconhecer e lamentar um fato não significa fraqueza e sim amadurecimento. É a partir de uma constatação de escolhas erradas que passamos a avaliar mais atentamente as futuras. Ninguém nasce com um manual de instruções ensinando como agir em cada momento da vida! É no caminhar que aprendemos o caminho! 

Muito dos erros ao qual lamentamos amargamente vem da vaidade, de pensar de si mais do que devia e também da impulsividade, agir respondendo as emoções do momento sem pesar as consequências! E quando estes dois sentimentos se somam, então, o desastre costuma ser maior! Resultado: consciência pesada, aqueles sininhos tiritando na sua mente, dizendo que deveria ter agido diferente... 

Esta semana, um seguidor anônimo do blog deixou comentário em uma postagem, pedindo conselho para um "cara apaixonado e arrependido". A frase deixou nas entrelinhas que se tratava de um homem arrependido por certas atitudes em seu relacionamento que possivelmente levou a uma separação. Fiquei pensando neste amigo anônimo! Notei que estava pedindo socorro, do tipo: O que eu faço para consertar o meu erro? Ou o que eu faço para que ela me perdoe? 

É bom ter em mente que o arrependimento sincero é o primeiro passo para consertar uma atitude errada. No entanto não é uma garantia de receber perdão do outro. Um relacionamento sempre tem os dois lados da moeda, e, vai depender muito de como a outra pessoa irá encarar o seu erro! Quando alguém é magoado tão profundamente, é comum que se faça uma reflexão, que se pense em como foi este relacionamento até o momento da crise, se vale a pena tentar consertar, se conseguirá sobreviver com as lembranças desagradáveis e perturbadoras e principalmente, se conseguirá ser feliz novamente. 

Algumas vezes, o outro até perdoa o erro, entende os motivos, mas não está mais disposto a encarar a relação por não conseguir lidar com os efeitos colaterais: insegurança, medo, ciúmes, etc...E neste caso, é seguir em frente e tentar tirar disto uma lição. Da próxima vez, dê mais valor a sua relação! Paixões são passageiras! Não corra o risco de perder um grande amor! 

De modo geral, arrepender-se significa não querer repetir uma escolha errada! No entanto, não dá para ficar na posição de coitado e se lamentar a vida inteira. Aprenda com os erros e vire a página. Procure fazer escolhas mais conscientes e menos impulsivas. Levante a cabeça e siga em frente! O bom da vida é que sempre haverá novas escolhas, novas decisões, novas oportunidades de acertos e apesar disto continuaremos entre erros e acertos, trilhando esta estrada chamada vida em busca daquilo que nos faz melhor!

Célia Araújo




26/03/2012

Crise Conjugal, É Possível Sobreviver!



O casamento é uma das decisões mais importantes que se faz na vida. E quando digo casamento estou me referindo a toda e qualquer união em que o casal decida por viver sob o mesmo teto, seja ela regulamentada por um cartório civil ou não. Casar significa você dividir a sua vida, seus sonhos, seus objetivos, suas manias, suas esquisitices, suas neuras, seus traumas no dia a dia com uma pessoa que você acha que conhece o suficiente, mas que na verdade, passou a fazer parte da sua vida por um único motivo: o amor.

O casal entra nesta sociedade por apostar neste sentimento. Acreditam que irão superar todas as diferenças, que nada poderá abalar o que sentem um pelo outro e que irão permanecer junto até que a morte os separe. No entanto, infelizmente, a morte não é o único motivo que separa um casal apaixonado, existem outros como infidelidade, incompatibilidade de sonhos, distanciamento, falta de dinheiro ou excesso dele (acreditem, o excesso de dinheiro também separa), divergências sexuais, etc..

A crise chega para mostrar que algo está errado. A impaciência com o outro, o ciúme excessivo, a falta de diálogo, a falta de tempo para o parceiro(a), mau-humor e irritação constante são sintomas que algo não vai bem e que pode piorar se o casal não investir na cura da sua relação. Assim com numa crise financeira em uma empresa, em que os sócios  lutam e tomam medidas para que a sociedade sobreviva, no casamento se ainda há amor, o casal precisa tomar decisões para manter a paz na relação.

Ainda é a mulher a parte mais sensível nesta história e por esta sensibilidade de perceber o trem saindo dos trilhos, paga o preço de tomar a iniciativa nos diálogos nem sempre aceitos pelos homens, já que eles detestam DRs. O diálogo e a persistência são fundamentais. Há de se pensar que só fica numa relação quem quer, então, se ele está do seu lado é por que deseja estar ali, caso contrário já teria feito as malas e ido embora, pois ficar num barco que está afundando também é uma prova da existência de um sentimento verdadeiro.

A crise no casamento é das situações mais desgastantes que se pode passar, mas muitas vezes necessária para colocar as coisas nos seus devidos lugares. Se ainda existe amor, você tenta de tudo. Conversas, terapias, dicas das amigas (nem sempre válidas), livros de autoajuda, visual novo, viagem a dois e nada parece funcionar. Tudo parece perdido. Você olha para aquela pessoa que tanto ama e não o reconhece. Você tem vontade de gritar o quanto está sofrendo. Você sente a dor do desespero entranhando na sua carne. Até que cansada de tanto lutar, entrega os pontos e num desabafo sincero, olhos nos olhos, com a dor de quem está a dar o atestado de óbito do relacionamento, pede que ele vá embora, que saia da sua vida, que lhe deixe sofrer com dignidade e sozinha, que lhe de o direito de recomeçar...

E neste momento, ou o parceiro aceita sua decisão acreditando não haver mais cura para o mal, ou no desespero de salvar um amor que ele sabe ainda existir e que apenas está sufocado pelos problemas, pede clemência, joga a toalha, se entrega. Na sequência desta cena, que embora real pereça de novela, vem de ambos, o choro, o pedido de perdão, as lembranças de todos os momentos bons juntos, as juras sinceras do tentar o recomeço, e uma convulsão de sentimentos inexplicáveis!

E se a vontade de recomeçar for tão forte quanto o sentimento que vos une, a cura desta relação é uma certeza. A partir daí é aprender com a crise a ter maturidade para enfrentar os problemas sem distanciamentos tornado-se cada vez mais fortes. Amar sempre vale a pena!!!! E como disse Fernando Pessoa: "Não conheço nenhuma outra razão para amar, senão amar."

Célia Araújo



25/02/2012

Hoje e Nada Mais


Já imaginou se nossa mente só o hoje registrasse?
Perderíamos lembranças de momentos incríveis e também de grandes tragédias;
Teríamos que todos os dias reinventar nossos sonhos;
Olharíamos sempre para os outros com ar de surpresa;
Amaríamos sempre como a primeira vez;
Não guardaríamos mágoas por além de um dia;
Renovaríamos sempre nossas amizades;
Os desafios seriam sempre novos;
A rotina deixaria de existir;
E a felicidade seria projeto de um único dia...
Psiu! Garçom! Sirva a minha dose diária de amnésia, por favor!

Célia Araújo

02/11/2011

Para o Meu Netinho


Eu ainda não te conheço pessoalmente, mas sei que tu mudarás a minha vida para sempre. Não sei qual será a cor dos teus olhos, se os teus cabelos serão lisos como os do teu pai ou encaracolados como os da tua mãe, sei, no entanto que vou afagá-los com muito carinho e que muitas vezes  irás adormecer com estes afagos. 

Eu não sei se terás pouca estatura como tua mãe ou serás alto como o teu pai, mas que serás um grande homem eu não tenho nenhuma dúvida. Talvez tu sejas calminho, talvez agitadinho, farás travessuras, irás me cansar de tantas sapequice e ainda assim eu te acharei o melhor menino do mundo. 

Não sei ao menos o teu nome, teu pai quer chamá-lo de Ygor, tua mãe de Rafael, para mim independente do que eles escolham será o nome mais lindo do mundo. E apesar disto, teu nome já está gravado dentro do meu coração. 

Tu chegarás a um mundo sedento por justiça, numa era que os cientistas sociais chamam de Modernidade Líquida, onde os laços de afetos estão cada vez mais fluídos e raros, mas não te preocupe, nossos laços serão sólidos como uma rocha e preciosos como um diamante. 

Eu te amarei por todos os meus dias, tu serás o início de uma descendência que irá se perpetuar, terás a importância de ser o meu primeiro netinho e o primogênito de seus pais, serás também o primeiro sobrinho de teus tios maternos e o primeiro afilhado do teu dindo Tiago. Entendeu agora, Guri, o que te espera aqui fora? 

Tu estás parecendo celebridade, estão todos te aguardando ansiosamente, viraste o assunto da vez, todos querem saber teu nome, teu tamanho, se estás bem e principalmente quando chegas. Não tenha medo de vir para este mundo de doidos, pois está cheio de gente mais doida ainda, feliz pela tua chegada. 

Eu ainda não me apresentei a você: - Sou tua avó materna, a vovó Célia. A vó que irá te levar para conhecer o mar, a vó que irá te acompanhar nos teus primeiros meses de vida, a vó que irá te livrar dos castigos dos teus pais quando tu fizeres uma travessura, a vó que te ensinará a gostar de Guns in Roses, a vó que te passará o gosto pela leitura, a vó que irá te ensinar a cantar o hino rio-grandense, a vó que já te ama tanto e que está louca para te ter nos braços. Eu te amo muito e te agradeço pelo rumo que tens dado a minha vida. Aguardo-te aqui fora, meu pequeno ser! Até breve!


Célia Araújo

01/11/2011

A Omissão Masculina ao Final do Relacionamento


Homem não termina relacionamentos, isto é cruel, deprimente, covarde, mas é fato. Nunca tive  namorado que terminasse comigo e quando falo com minhas amigas recebo delas a mesma informação. O homem enrola, se torna distante, comete erros grosseiros e fica esperando o momento em que a parceira, cansada de tantas tentativas inúteis de salvar sua relação, finalmente jogue a toalha em sinal de desistência.

O relacionamento esfria, o sujeito se torna cada vez mais ausente, os assuntos quando surgem se resumem a comentários de telejornal. A mulher se escabela tentando achar um motivo para esta situação, muitas vezes se culpa por achar que poderia ter dado mais de si, pensa ser apenas uma crise, tenta DRs para salvar o casamento, simpatia, apela para o horóscopo do dia, quem sabe um conselho de amiga, uma psicóloga... Até que um dia cai a ficha e põe fim a esta situação. Ele aliviado por não ter tomado a decisão final, ainda massacra mais um pouco, lembrando que a decisão foi dela! Mas será que foi dela mesmo ou ele simplesmente levou-a a tomar esta decisão?

Tem coisa mais cruel que  delegar a outrem a missão dolorosa do final quando é você que quer romper? Acho que sim: o tal de dar um tempo. O que é dar um tempo? Na minha opinião se alguém me pede um tempo na verdade está me pedindo licença para aprontar todas e ainda assim, caso não se agrade da vida de solteiro, volte com a maior cara de pau!  Dar um tempo é pedir que a mulher fique te esperando enquanto você decide, entre uma fanfarra e outra, se vai retomar o relacionamento. Uma mulher quando entra neste jogo de dar um tempo a pedido de um homem, não se sente livre o suficiente para agir como solteira. Então ela sofre por algo que nem se quer sabe se será retomado.

Honestidade é sempre o caminho ideal para homens e mulheres. Se o amor acabou, se a vontade de estar juntos passou, se o brilho nos olhos não existe mais e se tudo isto leva a crer que a relação chegou ao final, assuma sua decisão, converse abertamente sobre isto, diga que chegou ao fim olhando nos olhos, aguente as lágrimas que o outro irá derramar, dê a ele o direito de sofrer, de lamentar e depois sacudir a poeira e dar a volta por cima. É o mínimo que se pode fazer por alguém que te proporcionou muitos momentos felizes!     


Célia Araújo