21/05/15

SOU CIUMENTA, NÃO SOU IMATURA!



Eu não quero ser ciumenta, eu não quero ter ciúmes!

A frase acima remete a um sofrimento psíquico, não é mesmo? Bom! Eu costumo muito comparar o ciumes a depressão. Por quê? Porque ambos são sofrimentos emocionais mal interpretados por quem não os sente, ambos causam dor e desconforto, ambos paralisam a vítima em algum momento da vida e ambos são julgados erroneamente como sentimentos de uma pessoa imatura.

Segundo a psicologia, o ciúme existe desde os primórdios e até mesmo animais sentiam e sentem ciúmes. Pude comprovar isto com o nascimento do meu último filho. Tenho uma cachorrinha vira-latas que sempre foi o xodó dos meus filhos mais velhos. Dócil, meiga, jamais ousou rosnar para uma criança. Mas, depois de muitos anos, nasceu o meu caçulinha Lennon e passou a ser o centro das atenções na família. Não demorou muito para a Baby perceber a deferência ao Lennon e sentir-se enciumada. Quando o meu bebê começou caminhar, precisei ter muita paciência com ela, pois latia para ele, como para um inimigo e embora já tenham se passado três anos do seu nascimento, ainda é resistente a sua presença, o que fez o pequeno Lennon me perguntar outro dia: - Mamãe, por que a Baby não gosta do nenê? Acalmei-o, dizendo que ela gosta sim, apenas se sente enciumada com a sua presença.

O ciúmes, nada mais é que isto que a cachorrinha Baby sente, o medo da perda do afeto de quem se ama. Agora, o que te faz a sentir este medo, já não é tão simples explicar. Muitos pais nem imaginam que estão educando filhos para serem ciumentos. Toda a educação que uma criança recebe faz o adulto que ela se torna. Se vc é aquele pai que bate no peito e se orgulha de dar tudo que seu filho pede, provavelmente ele não saberá lidar com a perda e com as frustrações do cotidiano. Poderá desenvolver o medo crônico de perder aquilo que conquistou, e nas relações amorosas, vir a se tornar um ciumento compulsivo.Da mesma forma, se vc não trabalha a auto estima e confiança do seu filho e está sempre o comparando aos outros filhos ou aos coleguinhas, na vida adulta ele pode tornar-se alguém inseguro, com baixa autoestima e então novamente cair na cilada do ciúmes, já que não se sente capaz, ou merecedor do amor de alguém!

Viu? Eu falei que não era tão simples assim. Ninguém sente ciumes porque quer e nós não conhecemos os dramas emocionais de cada pessoa para assegurar que é falta de maturidade apenas. O ciúmes faz o outro sofrer, porém provoca um sofrimento e um desgaste psíquico muito grande a quem sente. Quando de maneira moderada é tolerado no relacionamento e visto até mesmo como tempero do amor. Quando de maneira excessiva,  é destrutivo e deve ter ajuda terapêutica de um profissional no sentido de desenvolver  a autoestima do paciente e ajudá-lo a encontrar uma maneira de lidar com as perdas ou com suas ameaças reais ou imaginárias.

Agora uma dica para o parceiro de um ciumento, não o provoque só para se sentir desejado, isto sim é infantil demais. Não o chame de imaturo, não ajuda em nada e só destroi ainda mais sua autoestima. Não comente com seu amigos sobre o ciumes do cônjuge, é desnecessário, provavelmente eles já notaram, e só irá ridicularizá-lo ainda mais. Tenha atitudes mais positivas como demostrar o quanto ele é importante pra vc. Inclua-o nos seus planos, nos seus sonhos. Converse e procure acalmá-lo em situações imaginárias de perda. E se vc não sente nenhum ciúme dele, lembre-se que isto o deixa ainda mais inseguro. O ciumento se sente desvalorizado ao imaginar que o outro não tem medo de perdê-lo.Caso ame mesmo esta pessoa, invista nela, na saúde da relação e se preciso for, procure ajuda de um profissional, é sempre bem vindo.

Deve estar se perguntando: E a depressão? O que isto tem a ver com a depressão! Bom, ela existe, e embora eu não sofra deste mal, eu sei de sua existência , do sofrimento e da dor muito grande que causa a quem tem.  Então respeito, não ridicularizo e nem subestimo a maturidade dos deprimidos, O mesmo gostaria que fizessem comigo, caso me vissem tendo uma crise de ciúmes.

Bye Célia araújo


09/12/12

O Paciente Amor de Pai


Os homens também amam, os papais que o digam!

Precisam conviver sempre às sombras do amor da mamãe pelo filho. Escutam com a maior resignação todos os dia que amor de mãe não tem igual. Não contestam. Lembram que suas santas mãezinhas lhe proporcionaram infinito amor na infância e calam consentindo com a expressão!

Pedem permissão todos os dias a mamãe para agirem como papais! Seja na hora de passear com o bebê, quando escutam a voz feminina do protesto: "Agora não, o sol está muito quente" ou ainda: "Deixe para outro dia, acho que vai chover", seja na hora de colocar no filho a camisa do time do coração: "Ele ainda não tem time, é pequenino demais para escolher". E o papai acata, afinal não dá para ir contra os apelos d'aquela que tem poder majoritário sobre o bebê! Ela sabe o que faz, sempre sabe!

Sem entrar no mérito dos estudos sociológicos e antropológicos, analisando apenas o senso comum, as mulheres por séculos seguiram a cultura da submissão ao sexo masculino. Mesmo as que se dizem independentes, sempre acabam levando em conta a opinião do homem. Esta submissão, no entanto, acaba quando se refere a como cuidar do filho pequeno. São as mamães que definem o melhor horário do banho, o cardápio do bebê, a escolha da escolinha, a escolha da roupa e se o papai discordar de algum quesito, vai ter que a convencer com muitos argumentos e aturar um beiço arrastando até o chão! Mas, ele não desiste fácil de impor sua participação na vida deste pequeno ser. Está ali, atento, pronto a entrar em cena caso a mamãe abra uma brecha (e ela sempre abre). Está pronto a demonstrar que o amor que ele sente por seu filho é tão grande a ponto de aceitar ficar refém da grandeza do amor materno.

Os papais são também os culpados pelo dengo do bebê. Quando o pequenino faz manha, a mamãe logo acha o grande vilão do episódio "Você está sempre com ele no colo", como se o pouco carinho que ele consegue dar ao filho, perto do que ele realmente sente, fosse motivo de choro e não de alegria. 

Os papais amam de uma maneira única. Resilientes, não entram no jogo do "quem o bebê ama mais?" imposto pela mamãe. Não precisam desta resposta, se garantem com o amor que dão e com o que recebem e ainda incentivam e ensinam o filhinho a amar a mamãe incondicionalmente. Afinal, se a mulher foi capaz de gerar alguém que transformou a sua vida, merece toda esta deferência. O amor do papai é tão sublime quanto o da mamãe, pois é o amor de um pelo outro que se multiplicou e  materializou em outra forma humana! O filho é a benção materializada do amor, e o seu sorriso é o próprio paraíso. 

Célia Araújo

28/05/12

FALANDO EM ARREPENDIMENTO


Já ouvi muitas pessoas dizerem que não se arrependem do que fazem, só do que deixam de fazer. Acho até que em algum momento da minha vida também devo ter falado isto. Porém, analisando de maneira mais profunda, sabemos que isto é uma grande mentira, e o pior desta mentira é que tentamos nos convencer de que é verdade, e como canta aquela melodia: "Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira"! 

As pessoas se arrependem do que fazem, sim! Arrependem-se de terem magoado alguém que não merecia, de terem se precipitado em um julgamento, de terem gasto mais do que deviam, de comprar aquele sapato que nunca foi usado, de criar ilusões sobre alguém, de tomarem uma atitude que teve consequências desagradáveis, etc.. 

Quantas situações você gostaria de ter agido diferente? Quantas escolhas desastrosas já fez? Muitas! E não tem nada de errado em lamentar isto. Perceber o erro é o primeiro passo para mudanças positivas. Reconhecer e lamentar um fato não significa fraqueza e sim amadurecimento. É a partir de uma constatação de escolhas erradas que passamos a avaliar mais atentamente as futuras. Ninguém nasce com um manual de instruções ensinando como agir em cada momento da vida! É no caminhar que aprendemos o caminho! 

Muito dos erros ao qual lamentamos amargamente vem da vaidade, de pensar de si mais do que devia e também da impulsividade, agir respondendo as emoções do momento sem pesar as consequências! E quando estes dois sentimentos se somam, então, o desastre costuma ser maior! Resultado: consciência pesada, aqueles sininhos tiritando na sua mente, dizendo que deveria ter agido diferente... 

Esta semana, um seguidor anônimo do blog deixou comentário em uma postagem, pedindo conselho para um "cara apaixonado e arrependido". A frase deixou nas entrelinhas que se tratava de um homem arrependido por certas atitudes em seu relacionamento que possivelmente levou a uma separação. Fiquei pensando neste amigo anônimo! Notei que estava pedindo socorro, do tipo: O que eu faço para consertar o meu erro? Ou o que eu faço para que ela me perdoe? 

É bom ter em mente que o arrependimento sincero é o primeiro passo para consertar uma atitude errada. No entanto não é uma garantia de receber perdão do outro. Um relacionamento sempre tem os dois lados da moeda, e, vai depender muito de como a outra pessoa irá encarar o seu erro! Quando alguém é magoado tão profundamente, é comum que se faça uma reflexão, que se pense em como foi este relacionamento até o momento da crise, se vale a pena tentar consertar, se conseguirá sobreviver com as lembranças desagradáveis e perturbadoras e principalmente, se conseguirá ser feliz novamente. 

Algumas vezes, o outro até perdoa o erro, entende os motivos, mas não está mais disposto a encarar a relação por não conseguir lidar com os efeitos colaterais: insegurança, medo, ciúmes, etc...E neste caso, é seguir em frente e tentar tirar disto uma lição. Da próxima vez, dê mais valor a sua relação! Paixões são passageiras! Não corra o risco de perder um grande amor! 

De modo geral, arrepender-se significa não querer repetir uma escolha errada! No entanto, não dá para ficar na posição de coitado e se lamentar a vida inteira. Aprenda com os erros e vire a página. Procure fazer escolhas mais conscientes e menos impulsivas. Levante a cabeça e siga em frente! O bom da vida é que sempre haverá novas escolhas, novas decisões, novas oportunidades de acertos e apesar disto continuaremos entre erros e acertos, trilhando esta estrada chamada vida em busca daquilo que nos faz melhor!

Célia Araújo




26/03/12

Crise Conjugal, É Possível Sobreviver!



O casamento é uma das decisões mais importantes que se faz na vida. E quando digo casamento estou me referindo a toda e qualquer união em que o casal decida por viver sob o mesmo teto, seja ela regulamentada por um cartório civil ou não. Casar significa você dividir a sua vida, seus sonhos, seus objetivos, suas manias, suas esquisitices, suas neuras, seus traumas no dia a dia com uma pessoa que você acha que conhece o suficiente, mas que na verdade, passou a fazer parte da sua vida por um único motivo: o amor.

O casal entra nesta sociedade por apostar neste sentimento. Acreditam que irão superar todas as diferenças, que nada poderá abalar o que sentem um pelo outro e que irão permanecer junto até que a morte os separe. No entanto, infelizmente, a morte não é o único motivo que separa um casal apaixonado, existem outros como infidelidade, incompatibilidade de sonhos, distanciamento, falta de dinheiro ou excesso dele (acreditem, o excesso de dinheiro também separa), divergências sexuais, etc..

A crise chega para mostrar que algo está errado. A impaciência com o outro, o ciúme excessivo, a falta de diálogo, a falta de tempo para o parceiro(a), mau-humor e irritação constante são sintomas que algo não vai bem e que pode piorar se o casal não investir na cura da sua relação. Assim com numa crise financeira em uma empresa, em que os sócios  lutam e tomam medidas para que a sociedade sobreviva, no casamento se ainda há amor, o casal precisa tomar decisões para manter a paz na relação.

Ainda é a mulher a parte mais sensível nesta história e por esta sensibilidade de perceber o trem saindo dos trilhos, paga o preço de tomar a iniciativa nos diálogos nem sempre aceitos pelos homens, já que eles detestam DRs. O diálogo e a persistência são fundamentais. Há de se pensar que só fica numa relação quem quer, então, se ele está do seu lado é por que deseja estar ali, caso contrário já teria feito as malas e ido embora, pois ficar num barco que está afundando também é uma prova da existência de um sentimento verdadeiro.

A crise no casamento é das situações mais desgastantes que se pode passar, mas muitas vezes necessária para colocar as coisas nos seus devidos lugares. Se ainda existe amor, você tenta de tudo. Conversas, terapias, dicas das amigas (nem sempre válidas), livros de autoajuda, visual novo, viagem a dois e nada parece funcionar. Tudo parece perdido. Você olha para aquela pessoa que tanto ama e não o reconhece. Você tem vontade de gritar o quanto está sofrendo. Você sente a dor do desespero entranhando na sua carne. Até que cansada de tanto lutar, entrega os pontos e num desabafo sincero, olhos nos olhos, com a dor de quem está a dar o atestado de óbito do relacionamento, pede que ele vá embora, que saia da sua vida, que lhe deixe sofrer com dignidade e sozinha, que lhe de o direito de recomeçar...

E neste momento, ou o parceiro aceita sua decisão acreditando não haver mais cura para o mal, ou no desespero de salvar um amor que ele sabe ainda existir e que apenas está sufocado pelos problemas, pede clemência, joga a toalha, se entrega. Na sequência desta cena, que embora real pereça de novela, vem de ambos, o choro, o pedido de perdão, as lembranças de todos os momentos bons juntos, as juras sinceras do tentar o recomeço, e uma convulsão de sentimentos inexplicáveis!

E se a vontade de recomeçar for tão forte quanto o sentimento que vos une, a cura desta relação é uma certeza. A partir daí é aprender com a crise a ter maturidade para enfrentar os problemas sem distanciamentos tornado-se cada vez mais fortes. Amar sempre vale a pena!!!! E como disse Fernando Pessoa: "Não conheço nenhuma outra razão para amar, senão amar."

Célia Araújo



28/02/12

Lennon Araújo Lemes


Oi Lennon,

Acabei de chegar da ecografia, mas eu já tinha uma certeza tão grande dentro de mim que serias  um menino. Intuição, pressentimento, mediunidade, sexto sentido, sei lá...O fato é que sempre senti que seria mãe de um menino.

Eu já consigo imaginar vc correndo pela cozinha, espalhando brinquedo pela sala, brincando de cavalinho enquanto segura os cabelos do teu pai, tirando o sossego dos teus irmãos. Imagino a alegria do teu pai quando te segurar nos braços pela primeira vez e também o orgulho dele quando vestires em ti uma camisa do grêmio. Deste fato você não escapa, mesmo eu sendo colorada...

Fico feliz em te informar que vc é fruto de um grande amor. Um amor que venceu muitos obstáculos, que venceu preconceitos, que venceu a fragilidade humana, que venceu suas próprias limitações. Um amor que foi capaz de perdoar, um amor que superou as vaidades da vida, um amor que de tão grande transbordou e virou uma nova vida: Você!

De certa forma vc sempre esteve entre a gente. A tua ausência me foi presença estes quase seis anos que estou com o teu pai. Ele sempre desejou o teu nascimento. Sempre ouvi ele falar que queria ser pai novamente e de um menino... Porém eu, tomada de medo do futuro sempre me fiz de desentendida. Fugia do assunto sempre que possível e fingia não entender o desejo dele de ser pai novamente, já que na primeira vez que foi pai, devido a pouca idade e a imaturidade da juventude, não pode aproveitar tanto quanto deveria os prazeres da paternidade. O amor dele foi mais generoso que o meu. Ele tocava no assunto em algumas ocasiões e quando via minha resistência, calava-se. Hoje, vendo sua felicidade  com a tua chegada percebo o quanto fui egoísta em não aceitar receber você antes.

Não que eu não desejasse sua presença, mas para quem já criou 4 filhos sozinha, criar mais um era um monstro que me aterrorizava. O medo, sempre o medo me perseguindo...Talvez quando cresceres entenderás que os adultos algumas vezes por medo de perder acabam perdendo, por medo de sofrer acabam sofrendo e por medo do novo acabam por deixar de viver momentos maravilhosos.

Seu nome foi escolhido com muito carinho. Foi o nome de um homem que cantou a paz em suas melodias, pregava que o mundo deveria sonhar o mesmo sonho e não teve vergonha de assumir um grande amor e vivê-lo integralmente até o último dia de sua vida.

Tenho tantas coisas para te ensinar, mas a principal delas é o valor da família. Nada neste mundo é mais importante que uma família unida e bem estruturada. É num ambiente assim que conseguimos a verdadeira felicidade. Muitos a procuram no dinheiro, na bebida, nas drogas, mas eu sei que você será um grande homem e dará valor ao que realmente interessa nesta vida: o amor!

Um dia irei te contar como vc foi planejado, irei contar a emoção do teu pai ao saber que eu estava grávida e como eu fiquei feliz e também assutada ao saber da tua chegada. Eu sou uma mulher de sorte. Colocar um filho no mundo, tão desejado e tão quisto, é uma benção. Um dia alguém me falou que o universo conspirou a nosso favor te enviando como filho em um momento tão especial. É verdade! Eu também penso assim, pois todo o resto se tornou tão pequeno diante da possibilidade de ser mãe novamente.

Eu tenho certeza que terás muito orgulho da tua família. Terás irmão maravilhosos, já nascerás tio de um gurizão, o Rafael, uma Dinda que já te ama muito e que ficou sabendo da tua existência antes mesmo que eu.   E o teu pai? Ah, o teu pai é o homem mais interessante que eu já conheci em toda minha vida e nos ama muito, disto tenho certeza!

Eu só tenho a agradecer a vc toda esta emoção que estou sentindo e por me fazer relembrar a emoção da maternidade. Te aguardamos aqui fora, meu pequenino, neste mundo doido em que só os loucos sobrevivem. Te amo muito meu filho, e seguiremos juntos nesta empreitada que a vida nos deu...

Célia Araújo